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Glamour da Palavra

Um blog que tem de tudo um pouco. «EU POSSO RESISTIR A TUDO EXCETO À TENTAÇÃO»

Um blog que tem de tudo um pouco. «EU POSSO RESISTIR A TUDO EXCETO À TENTAÇÃO»

“Portugal a arder”

Com o final da primavera e chegada do verão o risco de incêndio florestal aumenta. Todos os anos a lengalenga dos fogos está de volta. Por vezes não temos noção do terror provocado pelos incêndios, nem sequer sabemos dar o devido valor aos bombeiros…

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Há alguns anos atrás quando ouvia dizer que havia um incêndio e que mais uma vez lá iam os bombeiros, eu pensava e dizia para mim: - Mas não é o trabalho deles? Não! Agora não vejo os bombeiros como uma profissão. São soldados da paz que não combatem só incêndios, transportam doentes e pessoas com deficiência, fazem desencarceramentos em acidentes, fazem buscas em desaparecimentos, salvam animais. Os bombeiros são aqueles que partem para ajudar o outro, mas não sabem se voltam!

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O jornalismo tem coisas boas e más, como tudo na vida. Mas tem uma coisa boa, o profissional de jornalismo é aquele que vai ao local do acontecimento para depois contar os factos. Partilho agora uma situação que presenciei e vivi recentemente. Na terça-feira, 26 de julho, quando saí da redação e estava a ir para casa, a meio do caminho a emissão da Rádio Portalegre é interrompida para dar a notícia de que lavrava um fogo junto à vila do Crato. Já não fui para casa! Segui de imediato para o Crato para fazer a cobertura do incêndio florestal. Um incêndio de grandes dimensões, e que eu pensei que lavrava apenas em área florestal. Assim que chego á rotunda deparo-me com o incêndio a chegar ao IC13, saio do carro e começo de imediato a fotografar e a filmar. Durante esse aparato todo fui abordado por um GNR que teria de abandonar o local, mostrei a identificação, e senhor responde-me que o incêndio está a entrar no Crato e que há habitações risco. Sigo imediatamente para Flor de Rosa, chegando aéreo ao local encontro um dos piores cenários que se pode encontrar. Deparo-me com desespero das pessoas, o incêndio estava a poucos metros das habitações. Quando parece estar tudo controlado o fogo termina mesmo no limite dos limites, junto aos quintais das habitações que ficam entre o Crato e Flor da Rosa.

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Fotografias e filmagens, para aqui e para ali no meio de uma nuvem cinzenta de fumo que assombra o Crato e Flor da Rosa, apenas é possível ouvirem-se sirenes, gritos de desespero e o som das chamas. A aflição dos populares era visível. Em cerca de 40 minutos aquela povoação ficou rodeada de chamas. Quintais ardidos, duas habitações embora abandonadas estavam queimadas, animais mortos e uma vasta área florestal queimada. Com apenas 47 veículos de combate às chamas, três meios aéreos e 191 bombeiros foi possível combater o incêndio, que só ficou controlado com o cair da noite. Foram quatro horas de pura aflição que pareceram dias que não tinham fim.

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Naquele dia não foi possível entrevistar nenhum bombeiro. No dia seguinte consegui uma entrevista com o segundo comandante dos Bombeiros do Crato, Paulo Antunes. A entrevista decorreu no quartel dos Bombeiros do Crato. Paulo Antunes disse-me que teria de ser rápido, pois tinha muito a fazer no rescaldo do incêndio. O rosto do bombeiro transparecia cansaço, mas ao mesmo tempo uma força para lutar e estabilizar a situação. Este bombeiro, que representava o estado de todos os outros, mostrou a força que os move para ajudar o outro.

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O dia do incêndio fez-me lembrar o verão de 2003, um verão terrível. Foi raro o pivô de informação que não começou a condução do noticiário com celebre frase: “Boa noite! Portugal a arder”. Aquilo que me incomoda é saber que grande parte dos incêndios são fogos postos. Uma tristeza. Aqui fica apenas um episódio triste que mostra o quanto profissionais são os nossos bombeiros. Um bem-haja a todos os soldados da paz.


Fábio Belo

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 (Fotografias e vídeo da cobertura do incêndio no Crato)